quarta-feira, maio 09, 2007

A PRESENÇA DE DEUS





    Quando criança basta uma simples oração para sentirmos todo fervor da presença de Deus. É como se um manto quente nos cobrisse e nos desse uma sensação de calor ideal: nem quente e nem frio. É como se fôssemos encobertos por nossas mães, que permaneceriam ao lado da cama até que dormíssemos.

    Contudo, com o tempo, esta sensação de fervor e paz que nos invadia a cada oração torna-se cada vez mais tênue e branda. E é exatamente nesse momento, quando passamos a ser considerados pessoas capazes de praticar, sozinhos, atos da vida cotidiana, quando passamos a responder por nós mesmos, quando adquirimos, dia após dia, mais responsabilidade e maturidade, que necessitamos despertar aquela criança que com o tempo adormeceu.

    Torna-se necessário não só despertá-la, mas também alimentá-la, para que ela possa se fortificar com os dias, fortalecendo a nós mesmos. Precisamos, assim, buscar o alimento, e devemos buscá-lo em Deus, traduzindo-o em um grupo de orações, em uma igreja, na oração pessoal, e acima de tudo no afeto familiar, unindo, então, tudo isto para que possamos dar uma alimentação ideal a este menino que se chama Amor.

    E não basta apenas crer, ou ler um belo texto, ou ainda escutar um belo testemunho. Deve-se agir, e atender aos chamados que este menino nos envia a cada instante. Chamados estes que se escondem por atrás de uma voz, de um convite, ou quiçá, por trás até de um simples texto de natal.

sexta-feira, março 23, 2007

O MELHOR DO MUNDO








Qual a melhor coisa do mundo? Muitos diriam que é sexo ou mulheres, ou, ainda, sexo com mulheres. Responderiam Deus, religião, conhecimento, amor, filhos, festas etc.

A melhor coisa do mundo é realizar seus desejos! É realizar imediatamente o que se deseja. Assim, não há “a melhor coisa do mundo”, mas as melhores coisas. Poderia dizer-se, ainda, que há uma melhor coisa para cada instante. A cada novo momento algo novo, um novo desejo e uma possível nova realização.

Nada mais lógico diante do fato de que o homem vive em constante mutação. Para um faminto, por exemplo, comer é a melhor coisa que existe. Para alguém com muita sede é a água.

Dessarte, a “melhor coisa” está intimamente relacionada com o desejo humano. E em virtude da essência do homem nunca será alcançada por completo. Haverá sempre algo novo a se realizar. O importante, então, é desvincular-se daquilo que não podemos controlar totalmente e vincular-se aquilo que depende única e exclusivamente de nós. Só assim será possível viver provando sempre do melhor que a vida tem a nos oferecer, vivendo prazerosamente e evitando dissabores que muitas vezes levam a um caminho sombrio.


quinta-feira, março 08, 2007

AVÓS







Os avós são a parte boa dos pais. Isso, talvez, pelo fato de não mais possuírem a obrigação de educar os netos como tinham com seus filhos, tendo que, não raro, contrariá-los, ficando às vezes de coração partido, mas preparando-os da melhor maneira para a vida. Sobra, assim, a parte boa: presentinhos, passeios, mimos etc.

Contudo, a convivência com os avós pode ser efêmera. Geralmente já os conhecemos velhinhos. Em média, pode-se afirmar que possuímos cerca de duas décadas para usufruirmos de nossos grandfathers. E o que são vinte anos quando presentes apenas na memória, quando já vividos?
Como já nos alertava Schopenhauer “Vista pelos jovens, a vida é um futuro infinitamente longo; vista pelos velhos, um passado muito breve.”

Talvez por isso, nós, animais de tenra idade, não percebemos o quão ínfimo é esse prazo. Justamente por isso é importante estarmos ao máximo com nossos ancestrais de segundo grau em linha reta. Eles podem não estar mais lá quando lembrarmos. Afinal, tudo o que é bom na vida se esvai com rapidez.

Talvez um dia, quando, enfim, nos ocorrer, não seja mais possível dizer “eu te amo”. Não haja mais oportunidade de deitar-se ao colo da vovó ou sorrir diante de um carinho do vovô. Um dia, quem sabe, quando tivermos nossos próprios netos, poderemos perceber tamanha a importância dos nossos velhinhos, e quanto valor eles nos dão.

Por fim, quem sabe em algum momento de nossas vidas, nos perdoemos por termos deixado escapar tão extraordinárias oportunidades de estarmos com nossos vozinhos e vozinhas. E vendo nossos netos, o perdão será lançado, ao percebemos que o que sentimos por eles é tão intenso, que a suas simples existências já bastam para sermos felizes.

sexta-feira, março 02, 2007

HOMENAGEM À MULHER








    Há milhares de anos Deus criou a terra e, junto a esta, o homem. Esse, ser supremo, superior dentre os animais, que tudo possuía, sentiu que algo lhe faltava.

    O criador, percebendo sua inquietação, presenteou-lhe criando a mulher, um ser belo e cândido, fiel e sábio, cuja ternura o faz conhecer o bem e o mal mais prazeroso, o faz agir como criança e por muitas vezes alimentar uma tênue esperança de um dia ao seu lado viver.

    Desde então, quantas “Evas” passaram, quantas lutaram, e venceram, e vencem, e provam a cada dia que o amor é um paradoxo.

    Escravo? É certamente o homem! Pois quem pode livre ser, vendo-a com juízo sossegado, se o cupido que de olhos é privado, dentro de vossos olhos mora.

 

DIA 08 DE MARÇO. DIA DA MULHER.


segunda-feira, fevereiro 05, 2007

COMO SABER SE É FELIZ








Acredito que toda pessoa possui recordações de pelo menos um momento do qual lembra-se com bastante saudade, pelo fato de ter sido uma ocasião de felicidade enorme. Lembranças de uma época em que se foi feliz. Como quando, recordando algo, afirmamos: como era bom naquele tempo!

Geralmente, durante todo o dia, pensamos no que passou e no porvir. Fazemos planos, recordamos fatos, pessoas etc. Gastamos cerca de noventa e cinco por cento do nosso tempo pensando no passado e no futuro, o restante fica com o presente.

Pensando nisso cheguei à conclusão de que sou feliz. Sou feliz agora, no presente! E não foi necessário muito esforço. Bastou me imaginar anos à frente, uns vinte, por exemplo, e pensar no que diria a mim mesmo quando lembrasse da época em que hoje vivo. Indubitavelmente eu pensaria: como era bom naquele tempo!

quarta-feira, janeiro 17, 2007

SE NASCESSE DENOVO








Se eu nascesse novamente, mais do que sou não queria ser!

Desejaria me chamar Edilson Santana Filho, ser filho de Edilson Santana Gonçalves e Maria José Dantas, ter como avós exatamente os que tenho, possuir como primos e irmãs aqueles que hoje os são, e família infungivelmente igual a que possuo hoje.

Quereria cortar a cabeça aos seis anos de idade, cair da bicicleta aos dez, me vestir de super-herói aos sete, ganhar o "meu primeiro gradiente" aos oito, viver na cidade de Missão Velha até os nove, ir com meu avô à fazenda durante a infância e formular trocadilhos quando algo me inquietasse.

Aos doze aspiraria uma mudança à cidade de Juazeiro do Norte e logo após, à Fortaleza. Estudaria nos mesmos colégios que estudei, teria os mesmos amigos que ainda hoje tenho.

Nasceria na cidade de Barbalha; desfilaria fantasiado de sete anões; pularia de um carro em movimento; me apaixonaria inocentemente; poluiria a sala de aula com um líquido chamado peido chinês; torceria pelo Ceará Sporting Club; ingressaria no curso de Direito; e no dia quinze de maio de dois mil e quatro, por volta das vinte e três horas e meia, escreveria um pequeno texto dizendo que se algum dia viesse a mais uma vez nascer desejaria ser, certamente, o que hoje sou.


sexta-feira, janeiro 12, 2007

SALTE!






             Toda a noite se passou e nenhuma palavra.

             Um ao lado da porta direita. Outro ao lado da porta esquerda. Ambos no banco traseiro.

              A conversa rolava a todo vapor entre os demais passageiros. Rebeca, a mais extrovertida, puxava os assuntos:

- Quem aqui quer ir tomar um sorvete?

- Olha o cachorro, seu louco. Quase que bate.

- De novo! Haa...

              E os olhares dos que se encontravam nos limites do banco traseiro fixavam-se nos lados opostos da rua: um olhava para direita. Outro, para esquerda.

              Faltava um salto. Tudo o que faltava era um salto de aproximadamente quarenta centímetros.

Um salto que ia do cérebro ao coração. Um salto que ia da razão, do orgulho e de um jogo marcado, ao sentimento, à entrega total, ao medo de errar, ao amor. Tudo o que faltava era uma palavra, um gesto, uma análise de si mesmo e uma constatação de que a culpa não era de ninguém.

              Passou a noite.

              Passaram-se os dias.

              E, assim, também os meses e os anos.

            E hoje, depois de passada toda a vida, os dois arrependem-se dia após dia por não terem saltado.


PARADOXO DO SENTIMENTO


Com a mesma intensidade com que despertamos com a luz do dia os sentimentos amorosos despertam com a escuridão lunar.

Despertamos com raios solares. É bem verdade que existem algumas exceções, como os bêbados e os poetas. Viram para lá. Rolam para cá. Enterram a cabeça no travesseiro. Mas, acordam!

Ao longo do dia, involuntariamente repetimos, para nós mesmos, nossa última vitória:

- Eu a esqueci! Eu a esqueci! Eu a esqueci... Ah eu a esqueci...

- Agora sim ela vai me procurar! Mulher é assim: gosta é de ser deixada de lado!

- Há, mas quando ela me procurar. Vou dizer-lhe tudo o que está engasgado aqui: que a esqueci; Que é tarde demais; Que não significou nada para mim; Que vá embora e me esqueça; Que prefiro uma qualquer.

- E quando ela começar a chorar, e me pedir perdão. Quando disser que sem mim não vive. Que sou o amor da sua vida. Que prefere morrer a viver sem mim. Viro a cara e vou-me embora.

- Contarei para os meus amigos tudo de uma maneira hilariante. Escutarei minha secretária eletrônica na frente de todos para que escutem sua voz trêmula e seu choro. Configurarei meu e-mail para enviar suas mensagens diretamente à lixeira do computador, e darei um jeito para que ela saiba disso.

Mas os sentimentos amorosos despertam com a noite. E intensificam-se ao adentrar-lhe. E aquela repetição longa e contínua, que nos lembrava a cada instante que havíamos vencido a batalha contra o exército do coração, repentinamente desaparece. O sutil silêncio da noite faz nos sentirmos sozinhos e inseguros.

Tentamos dormi. Não conseguimos.

As notícias que chegaram até nós, sobre ela, de maneira não identificável, ao longo do dia, começam a ser analisadas.

Relutamos.

Uma música. Um filme. E pronto. Mas uma vez escravizados estamos. Refletimos e pensamos se ela também está pensando na gente naquele momento. Refletimos mais um pouco. Passamos um bom tempo refletindo. Lembramos dos momentos felizes anteriores e porvir. Pensamos até mesmo na concorrência.

- Mas ele não é de nada! Afirmamos a nós mesmos.

- Contudo é bom não facilitar! Afirmamos subconscientemente.

Decidimos ligar. Ensaiamos a fala. Tomamos coragem. E notamos que já são duas horas da madrugada.

- Amanhã eu ligarei!

Deitamos. Adormecemos pensando nela e no que iremos falar. Simulamos até a conversa que teremos, imaginando sempre que as respostas serão as melhores possíveis.

- Oi.

- Olá.

- Como Vai?

- Estou morrendo de saudades! Volta pra...

E despertamos no dia seguinte cheios de si, repetindo involuntariamente, para nós mesmos, nossa última vitória...