
Toda a noite se passou e nenhuma palavra.
Um ao lado da porta direita. Outro ao lado da porta esquerda. Ambos no banco traseiro.
A
conversa rolava a todo vapor entre os demais passageiros. Rebeca, a mais
extrovertida, puxava os assuntos:
- Quem aqui quer ir tomar um
sorvete?
- Olha o cachorro, seu louco.
Quase que bate.
- De novo! Haa...
E
os olhares dos que se encontravam nos limites do banco traseiro fixavam-se nos
lados opostos da rua: um olhava para direita. Outro, para esquerda.
Faltava
um salto. Tudo o que faltava era um salto de aproximadamente quarenta
centímetros.
Um salto que ia do cérebro ao
coração. Um salto que ia da razão, do orgulho e de um jogo marcado, ao
sentimento, à entrega total, ao medo de errar, ao amor. Tudo o que faltava era
uma palavra, um gesto, uma análise de si mesmo e uma constatação de que a culpa
não era de ninguém.
Passou
a noite.
Passaram-se
os dias.
E, assim, também os meses e os anos.
E hoje, depois de passada toda a vida, os dois arrependem-se dia após dia por não terem saltado.
4 comentários:
Até que enfim rapaz!!!!!! Os textos outroras esquecidos serão publicados...saiba que serei leitor assíduo de suas andanças pelo mundo da letras!
MARKYM DESTACA...
estava na hora de destacar pensamentos que em epocas atrás seriam engolidos pelo passado que nos consome...
com certesa terei prazer em ler e comentar tamanhos pensamentos destacando o seu dom de viajar pelo mundo de frases que domina com façanha e destreza!!!!!
Cara um dia nois temos que publicar tudo isso e fazer um seriado como "as comédias da vida privada" hauhauahua continua aí q eu to escrevendo aqui!!! um abraco,
Thiago
É um orgulho mesmo esse meu irmão...texto cada vez melhores! Um beijo... te amo muito!!!
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