Os avós são a parte boa dos pais. Isso, talvez,
pelo fato de não mais possuírem a obrigação de educar os netos como tinham com
seus filhos, tendo que, não raro, contrariá-los, ficando às vezes de coração
partido, mas preparando-os da melhor maneira para a vida. Sobra, assim, a parte
boa: presentinhos, passeios, mimos etc.
Contudo, a convivência com os avós pode ser
efêmera. Geralmente já os conhecemos velhinhos. Em média, pode-se afirmar que
possuímos cerca de duas décadas para usufruirmos de nossos grandfathers.
E o que são vinte anos quando presentes apenas na memória, quando já vividos?
Como já nos alertava Schopenhauer “Vista pelos jovens, a vida é um futuro
infinitamente longo; vista pelos velhos, um passado muito breve.”
Talvez por isso, nós, animais de tenra idade, não
percebemos o quão ínfimo é esse prazo. Justamente por isso é importante
estarmos ao máximo com nossos ancestrais de segundo grau em linha reta. Eles
podem não estar mais lá quando lembrarmos. Afinal, tudo o que é bom na vida se
esvai com rapidez.
Talvez um dia, quando, enfim, nos ocorrer, não seja
mais possível dizer “eu te amo”. Não haja mais oportunidade de deitar-se ao
colo da vovó ou sorrir diante de um carinho do vovô. Um dia, quem sabe, quando
tivermos nossos próprios netos, poderemos perceber tamanha a importância dos
nossos velhinhos, e quanto valor eles nos dão.
Por fim, quem sabe em algum momento de nossas
vidas, nos perdoemos por termos deixado escapar tão extraordinárias
oportunidades de estarmos com nossos vozinhos e vozinhas. E vendo nossos netos,
o perdão será lançado, ao percebemos que o que sentimos por eles é tão intenso,
que a suas simples existências já bastam para sermos felizes.
2 comentários:
esse texto ficou ótimo
tenho muito orgulho de você
te amo!!!
show o texto chapa
abraço
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